Jesus

Jesus é um Mestre.

(...)

Essa teoria que eu agora proponho me parece interessante. Porque o exemplo de Jesus vai contra a Tradição, contra a Família, contra a Propriedade, contra as convenções sociais, contra a Hipocrisia e, principalmente, contra a Autoridade. Jesus nunca trabalhou, não tinha casa própria, andava descalço, estudou Filosofia, namorou uma mulher solteira (que diziam ser prostituta porque era livre), renegou a própria mãe, brigou com os irmãos, gostava de vinho, de perfume e dos cafunés da Marta, fez alguns milagres — e nunca se apegou a rigorosamente nada. Nem à própria Vida. "Olhai os lírios do campo" — dizia Ele. "Olhai os pássaros do Céu: não tecem nem fiam, etc". Jesus era brilhante. Você vai entender o que estou dizendo se ler, amorosamente, sem preconceitos, lá em Mateus 6.x mais ou menos, o "Sermão da Montanha".

Exceto talvez pela morte trágica, que pode até ter sido metafórica, a vida de Jesus deve ter sido realmente uma delícia. Só festa, cultura e alegria. Jesus vivia coçando o Divino Saco o dia inteiro. Nunca se deixou explorar por um patrão ou por uma esposa ciumenta. Nem por um pai dominador. Claro que um "Exemplo" como esse não poderia ser enaltecido pela classe dominante. Claro que esse "Caminho" teria mesmo que ser destruído, açoitado, crucificado e, principalmente, desqualificado.

Eu amo Jesus!



Estou preparando alguns textos sobre ele, originais, revolucionários. Que serão publicados em um livro cujo título será Sermão da Cordilheira.



Meu atual conceito de Deus

Deus é a oitava cor do arco-íris. Nem todos podem vê-la.

Do meu ponto de vista (que é a visão do filósofo), negar — a priori — a existência de Deus é uma pequena demonstração de irresponsabilidade intelectual. Provocativamente, posso dizer que é uma burrice. Da mesma forma que afirmar — a priori — a existência de Deus também não é uma demonstração de muita inteligência. Pois não é porque Deus está na Bíblia (ou em outros livros considerados sagrados) que podemos afirmar e defender, peremptoriamente, a sua existência. Os filósofos, até por dever de profissão, não podemos respeitar, de modo algum, os chamados "argumentos de autoridade". Para nós — e para todos aqueles que têm o hábito saudável de raciocinar antes de emitir julgamentos — uma determinada hipótese é verificável, ou não. Em princípio, as coisas devem ser encaradas assim. Mas há muitas outras formas, mais bonitas e até mais instigantes — e seguramente mais elegantes — de abordar essa questão.

De certo modo, Deus é um Axioma. Sua existência não pode nem precisa ser provada. Mas não caia na tentação infantil de rezar para um Axioma... Deus não nos pede rezas nem orações: Ele nos pede apenas Amor.

Quando adolescente, eu me dizia ateu. Convictamente ateu. Em verdade, era um gesto inocente de rebeldia intelectual. Compreensível, dadas as condições objetivas de então, geográficas e históricas. Eu só tinha doze anos e já me julgava capaz de discutir teologia com o Papa. Cheguei (burramente) até a mandar-lhe uma carta com proposta de debate entre nós dois... Uma carta escrita em italiano rudimentar, com a ajuda do quase analfabeto, mas brilhante Sr. Antonio Berti, um sitiante que morava no Itopava e de quem comprávamos abóboras. Claro que apresentar-me como "ateu" era uma síntese grosseira e provocadora, nada mais. Acontece que eu era o único ateu (declaradamente) na família e na escola, fato esse que me levou a interessar-me por teologia. Fiz cursos de Bíblia por correspondência, um deles (aos treze ou quatorze anos) na Escola Radiopostal da Voz da Profecia, com diploma e tudo. Interessei-me pela Bíblia do James, e fui me aprofundando cada vez mais. A teologia primária e os estudos de religião comparada, felizmente, me conduziram à Filosofia. Deliciei-me com Sócrates, com Sartre, com Nietzsche. O tempo passou, e aqui estou eu. Tudo por acaso, felizmente. E também felizmente, aquela minha descrença inicial foi se refinando, pouco a pouco. Em verdade, eu hoje creio num Deus maravilhoso, que mora dentro do meu próprio coração. Inclusive no meu próprio coração. Porque Ele mora também no coração das estrelas. O meu Deus pode até ser o mesmo que o teu — só que o meu é mais poético e romântico, e não me exige uma fé inabalável. O meu Deus é atômico, e não me pede nunca que abandone a Lógica só para ajoelhar-me a seus pés. De certo modo, e no sentido figurado, eu creio nele — e ele em mim, também. Não é preciso negociarmos nossas dúvidas, nem nossas crenças em comum. Por isso, quando falo com Deus, dou-lhe a garantia de que sou-lhe seu amigo, antes de tudo — e não seu seguidor. Converso com Deus por opção poética, não por dever de ofício ou interesse pessoal. Minha chance de ser salvo por Ele, portanto, é enorme. Aliás, dando-me as condições intelectuais de ser ateu, especialmente a lógica e a razão, Deus já me salvou dos horrores e desgraças de uma fé sem fundamento.

Textos ainda em fase de revisão. Pretendo formalizar, de modo leve e não muito extenso, meu atual conceito de Deus. Colocando também um pouco de poesia nesta ideia já por si tão maravilhosa. Eu diria que a ideia de Deus, toda ideia de Deus, é fundamental ao ser humano que se ocupa, seriamente, em pensar a Vida. Em pensar o Bem.

104. Quem adota a crença, primeiro assume as conclusões, e depois vai atrás dos argumentos. E o que é pior: só aceita os argumentos que não abalem suas conclusões. Por outro lado, quem adota a razão, o método racional, primeiro levanta as hipóteses, e depois sai à cata de conclusões. Caso as conclusões porventura invalidem suas hipóteses, formulam outras, sem que por isso se sintam ofendidos. Coisa que os crentes não suportam, posto que suas teorias sempre são tomadas como dogmas, e não como hipóteses.

DEUS PODE EXISTIR

112. Se alguém me diz que acredita na existência de Deus, eu compreendo e respeito a sua crença, imensamente. Mas se alguém me diz que Deus existe, eu considero isso, logicamente, apenas uma hipótese, passível de verificação. Por fim, se alguém tenta me convencer de que Deus existe — e ainda me pede o dízimo para salvar-me do inferno — eu sugiro que ele estude um pouco mais de História e de Mitologia. E que respeite a minha "descrença".

Entretanto, acho belíssima a ideia de existir um Deus. Uma energia poderosíssima, radiante, capaz de criar mundos — e lhes dar sentido. Uma coisa tão maravilhosa assim não pode ficar nas mãos trêmulas de pastores fazendeiros ou vendedores de CDs. Temos que nos apropriar dela. Nós, os poetas, os filósofos, os cientistas, as crianças, os artistas, os crentes verdadeiros e os ateus inteligentes — todas as pessoas sensíveis e amorosas — temos que nos juntar a Ele e dar-lhe as nossas mãos. Precisamos impedir que os aproveitadores arrendem sua imagem e pronunciem seu Santo Nome em vão.

118. O projeto do Deus cristão é genial. Não o projeto do Deus para conosco, mas daqueles que o criaram. Foi o primeiro Deus sem imagem, e ainda composto por uma Trindade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo. Criatividade ímpar.

120. Mas o meu Deus é diferente. É maior do que todos os outros deuses juntos — inclusive o Deus cristão, que já é enorme, e genial. Na verdade, todos os outros deuses já criados na história da Humanidade, em todas as culturas, em todos os tempos, são tentativas mais ou menos bem sucedidas de facilitar a compreensão do que seria um Deus. A coisa toda se complica um pouco, porque todos os criadores de deuses supõem — e alguns até acreditam de boa fé — que o seu Deus é o único. Exceto, em princípio, os gregos e os indianos, que são filosoficamente mais elaborados, todos os deuses foram criados para explicar a criação do mundo, a origem da vida, os fenômenos da natureza, ou para oferecer algum tipo de conforto espiritual aos sofredores, mas também, e principalmente, para proporcionar algum tipo de controle social a uma certa casta de sacerdotes, pajés ou curandeiros — nem sempre bem intencionados.

/// Vou continuar teorizando sobre isso. Este capítulo ainda é um esboço.

Quem sou eu? — você pode perguntar. Sou um poeta, um escritor de ideias. Bem-sucedido, mas não famoso. Escritor de ideias libertárias, eis o que sou. Amante do risco e do perigo. Um louco trapezista, cheio de paixão absoluta e de coragem, dando sempre saltos vitais no escuro azul profundo desse circo enorme chamado vida. Sem redes de proteção... E sem redes de proteção porque eu e Deus somos assim, oh! Aliás, sempre que ouço a voz de Deus dizendo-me "Salte!" — eu salto. E parece que agora começo a ouvi-la de novo, insistente.

122. A pior coisa que os pais podem fazer a uma criança é fazê-la crer em Deus antes que ela conheça Sócrates. O argumento "papai do Céu castiga", por exemplo, além de mentira cruel, é um sofisma — mas eu suponho que pais desse tipo nem saibam o que é um sofisma. "Isto é pecado", "Deus tá vendo", etc. — todas essas ameaças veladas confundem a cabeça da criança. Acontece que é muito mais fácil "educar" um bichinho obediente do que um filosofozinho questionador. Porém, a crença em Deus, imposta assim, ditatorialmente — de cima para baixo — deveria ser considerada abuso intelectual. Crime inafiançável.

Entretanto, ensinar a uma criança que Deus pode existir, e demonstrar a ela que isto é uma hipótese belíssima a ser verificada, e que, se afinal e de algum modo for verdadeira, Deus será uma coisa esplendorosa e fascinante — isto é belo e fundamental!

Não quero ofender ninguém. Tenho um respeito muito grande pelos cristãos e pelos crentes em geral. Aliás, tenho um respeito muito grande pelos Deuses de todas as religiões... Porém, como filósofo, e com responsabilidades intelectuais que levo a sério, não posso apoiar a fé — aqui entendida como crença inquestionável na existência sobrenatural de seres mitológicos. Entretanto, como poeta, eu creio num Deus maravilhoso, como já disse acima. Por isso mesmo estou agora escrevendo um livro sobre o assunto, cujo título é The Master of Jesus.

130. A ideia de Deus é belíssima e grandiosa. Deus (em si) não causa prejuízo algum às crianças. A crença em Deus, nessa fase da vida, é que é prejudicial. Destrói os neurônios (suponho eu), porque toda crença impede o raciocínio. Impede sinapses que poderiam ser brilhantes. A criança, na sua ingenuidade, na sua inocência, não terá jamais a "coragem" de questionar o Criador do Universo. Nem de questionar os próprios pais. Afinal, o chamado (em filosofia) "argumento de autoridade" tem um peso impressionante na construção da identidade da criança.

Ainda estou revisando esses textos.
E tomando café...

135. Meu pai e minha Mãe nunca me forçaram a ir à igreja — mas se eu não fosse à escola recebia algum tipo de punição, geralmente aplicada por meu pai. Não ir à escola, para meu pai, era uma ofensa gravíssima. Rezar ou não à noite não tinha a mínima importância, mas a lição de casa tinha que ser feita. Diariamente. Não tínhamos Bíblia em casa. Só enciclopédias. E a escola era vista como um privilégio, não uma obrigação.

Meu pai e minha Mãe não conheciam Sócrates, mas não eram ignorantes. Meu pai morreu aos 49 porque tinha pressa. Mas, minha Mãe está viva, lúcida e alegre. Daqui a pouco (e porque hoje é domingo) falarei com ela por telefone.

138. Hoje eu fiquei brincando com a ideia de Deus e escrevi algumas frases e construí algumas hipóteses. Acabei supondo que Deus não criou o mundo: Deus é o Mundo. Deus é o Universo. Esse conceito de deus me parece bastante sustentável, pois elimina a questão de quem teria criado Deus, na hipótese deste ter criado o Universo, intencionalmente. Minha concepção de Deus é filosófica, não religiosa. Para mim, a sentença Deus existe pode até ser verdadeira, a depender do que chamarmos "deus". Porém, a sentença "Deus criou o Universo" carece de fundamentação. Ainda vou pensar mais a respeito do tema, ainda vou brincar um pouco mais com a ideia de Deus — respeitosamente — e volto depois para contar onde cheguei.



142. Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente defendida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia mantiver (com mão de ferro) o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a nenhum resultado logicamente aceitável. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência. A Ciência constrói seus postulados com base em evidências quantificáveis, verificáveis. Mesmo quando a Ciência trabalha com hipóteses, estas devem ser plausíveis. A Teologia aceita como verdade até mesmo aquilo que pertence ao campo da Feitiçaria. Já a Ciência requer comprovação empírica. E a Filosofia é que deve fazer a ponte para que o Espírito se desloque para o campo da Física. Sem isso, essa energia que eu suponho ser o Espírito vai continuar sob o domínio dos comerciantes de religião, dos pajés e dos pastores — geralmente não muito comprometidos com a verdade. O que será péssimo para o futuro da Humanidade.

Aliás, a hipótese do Espírito é magnífica. A ideia de Deus como energia é grandiosa. Deus pode ter massa e pode ser explicado por uma equação escrita por Einstein. Deus pode ser matéria. Deus pode ter mil elétrons na última camada. Deus pode ser apenas mais um elemento químico na Tabela Periódica! Como se vê, esse é um assunto sério demais para continuar fora do âmbito da Ciência.



148. Tem gente que reza — mas reza errado. Reza pedindo coisas, milagres, soluções para sua vida. Tem gente que faz uma listinha de quinquilharias, tranqueiras e miçangas pra Deus mandar, como se o Céu fosse uma lojinha de presentes que atende por Sedex. Rezar pedindo coisas não adianta porra nenhuma: Deus nem dá bola... Quando rezamos, temos é que oferecer algo para Deus. Assim é que se reza. Só assim que Ele nos ouve. Isso acontece com todos os Deuses. O Nosso não seria diferente.

É a vida.

/// Depois mais eu volto aqui para continuar este assunto.

Enquanto isso, leia aqui sobre o Deus de Espinosa.