25.4.03


O que eu digo aqui não é uma provocação: é um desafio emocionante: é a possibilidade aberta de escolher o próprio caminho na vida. Nada mais — nada menos!
É um convite à transformação pessoal. A busca por algo fundamental à dignidade humana. O que proponho vai no sentido de romper com esse marasmo em que tua vida está se transformando. Você tem que romper, radicalmente, conscientemente, com essas normas morais injustas e com tudo o que de alguma forma te oprime e faz sofrer.
Você hoje parece que mais tosse do que ri...

Sempre que nos afastamos do caminho da verdade acabamos violando nosso direito de ter sorte. Temos que reagir a cada batida do coração. Porque só quando assumimos ter um dono é que ficamos dispensados de lutar.
Ser escravo é muito fácil: qualquer idiota consegue.
Difícil é ser livre — livre de verdade!

O que eu digo é mais ou menos isso. Até o fim deste livro (Solidão a Mil) vai ser esse o assunto. Até o fim da minha vida vou ficar falando dessas coisas, dia e noite. E se a você não interessam tais assuntos, feche este livro agora mesmo (e este blog também) e me abandone.
Se não puder me dar atenção, me dê sossego!

Escrevo.
Escrevo porque fiz há vinte anos um pacto com Lúcifer: em troca da minha alma ensinou-me Ele a escrever. E agora escrevo tão bem que sou capaz de convencê-Lo que me chamo Goethe.
O talento vem do Mestre, mas o Ego Deus me deu.
(Já nem sei qual dos dois é maior em mim.)
Escrevo, mas não para que você concorde comigo. Escrevo para transmitir emoções e para que você pense um pouco sobre a vida que hoje leva. Para que você veja o mundo de outra forma. Escrevo para excitar teu intelecto. Nada mais. Nenhum escritor será condutor de almas desgarradas. No máximo, o escritor indica um caminho que pode nos levar ao paraíso da estética. Porém, só mostra o caminho: não conduz, jamais. Aliás, no fundo, nem mesmo mostra; apenas diz que existe um caminho.
Talvez.
Escrevo, sim, mas antes quero falar de amor.
E o que é o amor? — Mefistófeles pergunta em teu lugar.
Certa vez, ainda adolescente, quando eu estava começando a entender a vida, escrevi a minha definição de amor.
Amar é permitir sempre, amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa só entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas.
(Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.)
Quem não concorda com tal idéia de amor não merece o meu.
Aliás, eu recuso terminantemente o amor de quem não ama a própria liberdade antes mesmo de me amar.
E o amor tem que ser livre — em todos os sentidos.
Se não for livre, chame-o de outro nome, menos de amor...

Portanto, mude.