7.3.03

Viva o Dia Internacional da Mulher.

Das Mulheres!

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam cinco sentidos para viver totalmente o mistério profundo que trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma, o amor natural de todos os corpos e almas, de todas as coisas gostosas do mundo. Como num espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.
Eu as respeito e as venero, com graça de cisne satisfeito nadando num lago tranqüilo e ousadia de touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, nem quero mudá-las jamais. Imagino o que possam sonhar e procuro entrar no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões e as emoções, a loucura e a libido. Como um deus em liberdade e surpreso por sua própria criatura, eu entro no coração de cada uma delas, delicioso, como entrasse em pulsante catedral. Mergulho na essência de seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia, tanta formosura. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e eu preciso mais do que isso para compreendê-las.
Toda mulher é silenciosa por dentro, sua existência se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo como fina substância, como deve amar quem ama de verdade. Incondicionalmente. Sem ciúmes. Amo as morenas e as loiras, as baixinhas e as altas, as lindas e as quase feias. As virtuosas, as magras e as gordinhas, as diabólicas, as tímidas, as mentirosas e as iluminadas, as pecadoras e as santíssimas. As virgens, as pobres e as ricas, as loucas e as inocentes. As bronzeadas de sol e as branquinhas. As inteligentes e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens e as velhas, as solteiras, as casadas e as separadas. As bem-amadas e as abandonadas. As livres e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e a chance, eu a todas daria um orgasmo cósmico e sublime — todos os dias.
Poeticamente.
Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, comeríamos morangos. E eu lhes faria poemas de amor olhando estrelas. Puro como um anjo, amaria todas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, doçura, profundidade, inocência. Entusiasmado, como se cada fosse única... Como se no mundo não houvesse mais nada.
Todas as noites, sem pressa alguma, passaria cremes e encantos no seu corpo, falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ao som de Vangelis, velaria por um tempo o sono delas, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, cobriria seu corpo com o resto de luar que ainda houvesse — e sairia em silêncio. Felino, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre metáforas, e sorrindo iria embora.
Enfim, se eu fosse Deus, não mais cuidaria do universo, nem dessas outras coisinhas banais. Não iria ficar controlando o destino das pessoas, o tempo, a pressa, a hora de chegar, o átomo, as ondas do mar, o caminho dos planetas, os genes, o cotidiano, a Internet, o infinito, a geografia.
Não!
Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.

Só isso — definitivamente. Nada mais, nada mais.