5.1.03

Sento aqui para escrever alguma coisa e fico pensando na vida, olhando este mar azul de Salvador, ouvindo a Barcarolle de Offenbach. Dois ou três cacos de céu no meu caminho, pedaços de silêncio onde se ampara a minha voz. Tomo outro gole de vinho vermelho e vejo que meu corpo tem muitos sentidos e muitas razões (e que é por isso que eu preciso de metáforas para dizer-me).
Não sei para onde vou hoje.
Talvez fique aqui mesmo, fazendo nada como se fizesse tudo.
Talvez escreva um poema, talvez termine aquele ensaio sobre Jesus que comecei ontem.
Talvez volte a ler Artaud... Não sei.
Só sei que o Mundo está de portas escancaradas para mim. E a realidade nunca foi tão impressionante quanto esta que agora sonho!