30.4.02


"Matar-se" para ganhar a vida é a pior espécie de morte. No trabalho a imaginação não se enfeitiça, não sobe montanhas, não escala picos. Quando executamos uma tarefa (no escritório, na fábrica, no consultório, na repartição.), nada de verdadeiramente grandioso se acrescenta à Vida. O mundo não fica um pingo melhor. Buda era um filósofo andarilho, Júpiter vivia fazendo amor, Shiva dançava dia e noite, Jesus adorava uma festa.

Os deuses nunca trabalharam...

O trabalho é um castigo (tripalium), o trabalho é uma vergonha.(*)

Se eu estivesse trabalhando não estaria escrevendo agora esse belo ensaio poético à beira do mar azul de Salvador. Se eu tivesse que sair correndo agora pra bater um cartão de ponto, nem daria tempo de fazer este blog maravilhoso...


Como dizia Nietzsche: "O trabalho é uma vergonha, pois é impossível que um homem ocupado no esforço de ganhar a vida se torne um verdadeiro ser humano!"


(*) Estou me referindo ao trabalho "alienado", àquele trabalho estafante, sem sentido, cheio de pressas e pressões — e quase sempre mal remunerado...

Que não deve ser o teu caso — obviamente!