29.3.02


Quando eu tinha seis ou sete anos morei com minha vó Vitalina um certo tempo. E aprendi então que não adianta você ter milhões na conta bancária se você não tem milhões de alegria por segundo. Ela fora uma linda mulher que jamais conheceu o belo em profundidade: tinha calma mas não tinha encanto. Sofreu por ser fiel em silêncio — mais de quarenta anos. Tinha os cabelos compridos, usava sempre um avental desnecessário e sua maior paixão, depois do bule verde de café preto, era um velho despertador Westclox de alumínio. Acho que me amou em demasia. Porque me ensinou a ser feliz de qualquer forma, e sempre permitiu-me "pecar" sempre que sentisse vontade.

Minha adorável vó Vitalina tem uma biografia que posso agora resumi-la em meia página de um livro.