19.2.02


Quem sou eu?

Sou música penetrando-me a consciência do agora, sou o sol lá fora sobre o canto das águas; sou meu lado esquerdo, minha parte, meu todo; sou sangue, desejo, emoção; sou filho de mim — e profeta que me anuncia; sou lembranças gostosas povoando este lugar; sou o próprio fogo que me aquece com imagens que ainda vou ter; sou a manhã, sou hoje, maçã, caramelo, açúcar, desejo, ciência, perfume, delito — e canção; sou azul, coração, noite, madrugada, vinho, cerejas, orvalho e barulho do mar; sou os primeiros violinos que agora se mostram com todo vigor, o próprio Beethoven que chega regendo essa orquestra que tenho no peito; sou Vangelis, que num simples silêncio se vai, sou agora Narciso, sou Nabuco — e o lindo coro dos escravos hebreus.

Sou minha própria liberdade — e tudo aquilo que permite.