17.2.02


De nada adianta liberar os instintos sem lhes dar um sentido.

— Então, escrevo.

Mas, assim como Teseu, antes de uma grande jornada — literária, poética, amorosa, romântica, tanto faz — procuro tornar os deuses, meus pares, favoráveis ao que pretendo. Antes de qualquer aventura, eles me abençoam. Não quero que me digam para onde ir, porque toda aventura tem que ser original. Só peço é que não me tranquem os caminhos que escolho.

E me jogo de cabeça no meio Deles.

Não sou louco, entretanto, pra dizer que tipo de Deus sou eu: isso não se diz. Guardo esse segredo como se fosse meu, a setenta chaves. Hoje, só me chamo de Edma Lux. Afinal, sou o melhor fruto das minhas próprias inquietações.

Tesão é uma forma de alegria!

O coração das minhas coisas é feito literatura.

Ao ler uma história de amor é meu coração que se masturba.

— E goza, como um Bourdelle acabando seu Hércules.

Quando leio em minha língua, subvocalizo a semântica do prazer, a solitária sintaxe do prazer estético que pode ser uma leitura. Porque minha capacidade de amar sempre foi maior do que a minha poesia.

E vice-versa.