27.1.02


Sento-me aqui para escrever e fico pensando na vida, olhando o mar azul do Guarujá, ouvindo Barcarolle (Offenbach). Há cacos de céu no meu caminho, pedaços de silêncio onde se ampara a minha voz. Tomo outro gole de café e vejo que meu corpo tem muitos sentidos (e que é por isso que eu preciso de metáforas para dizer-me). Não sei para onde vou hoje. Talvez fique aqui, fazendo nada como se fizesse tudo. Talvez escreva um poema, talvez termine aquele sobre Jesus que comecei ontem. Talvez volte a ler Artaud... Não sei. Só sei que o Mundo está de portas escancaradas para mim. E a realidade nunca foi tão impressionante quanto esta que agora sonho!

Que outra coisa posso ser a não ser o que sou?