1.10.01


Sem fome, sem sono, sem medo, sem culpa, sem dor;

Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem juízo, sem apego, sem pressões, e sem controle. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha e sensível. Sentindo-me amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntimo da transitoriedade, e buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado... Sentindo-me passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados, ficando cada vez mais e mais perplexo, fascinado e encantado com os novos horizontes: amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem. Quebrando barreiras. Ultrapassando limites.

Buscando, e encontrando, a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgado por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão; podendo ser julgado, mas condenado jamais. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a delícia da substância viva das coisas loucas. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso querer da vida, além de amores breves e brilhantes como relâmpagos, crepúsculos cor de abóbora, óleo de amêndoas doces, rosas vermelhas, taças de vinho branco, muita liberdade, saúde, alegria, poesia, tesão, gostosura, e tempo livre para viver tudo isso?

O que mais posso eu querer da vida?